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Dia 28

  • Foto do escritor: Greco Campos
    Greco Campos
  • 30 de jun.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jun.

Primeiros passos de uma pauta


Imagem: Greco Campos
Imagem: Greco Campos

Dia 28 de Outubro de 2025. Não tinha nem um mês que havíamos decidido a pauta para o trabalho final de uma das matérias da faculdade: “Pessoas que perderam parentes para a violência policial”. De repente, pela manhã daquela terça-feira, as polícias do Rio de Janeiro, militar e civil, começaram uma operação sem precedentes no Complexo da Penha e do Alemão que pôs a cidade em estado em guerra. Trânsito e congestionamentos por todo o município. Noticiários e redes sociais em polvorosa, salivando de tensão com o número crescente de mortos dos dois lados.


Se o assunto já nos interessava e já estávamos firmes em falar sobre a violência estatal que fazia o sangue chover em cima de diversas famílias e comunidades, os últimos eventos fixaram aquele desejo em todos nós. Se tornou dever intransponível.


Nesse mesmo dia, 28 de outubro, Gabriel, um dos repórteres da equipe, entrou em contato com Joseane pela primeira vez, marcando a entrevista para a sexta-feira seguinte. Moradora de Nova Iguaçu, Joseane (ou Jô, como é mais conhecida) é líder de um coletivo que acolhe vítimas da violência policial no Rio de Janeiro. Mãe de três meninos, perdeu dois assassinados por milicianos.


Os dias foram passando e nossa ideia original, que era entrevistar uma mãe, um irmão e um filho, foi se perdendo. Muitos parentes preferem ficar na anonimidade e a maior parte dos que decidem ir aos holofotes para falar sobre o assunto são, de fato, mães. Decidimos aceitar a possibilidade que na época já parecia inevitável: iríamos acabar entrevistando três mães. Não seria um problema e não diminuiria em absolutamente nada a importância da pauta, então aceitamos.


As semanas voaram e só tínhamos a entrevista da Jô. Toda manhã na faculdade eu e João Antonio (que escrevia a matéria comigo) conversávamos sobre outros caminhos que poderíamos tomar. Mandar outra dm para aquele coletivo? Mandar um e-mail dessa vez? Pedir para Jô conseguir alguém para nós?


Com sorte, Nívia e Jorge ouviram nossas preces e as entrevistas foram conduzidas no final de novembro, alguns dias antes do nosso prazo final. Nívia perdeu seu filho Rodrigo em uma execução pública por milicianos em Nova Iguaçu. Já Jorge perdeu seu filho no Massacre de Costa Barros em 2015, quando quatro policiais dispararam mais de 100 tiros contra um carro com 5 adolescentes e jovens adultos, dos quais um era Roberto, seu menino.


Em 28 de novembro, um mês após aquele dia tão angustiante, o primeiro rascunho do texto foi finalizado e a nossa história com aqueles personagens também.


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