QUEM DITA GENI?
- 1 de dez. de 2025
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Atualizado: há 5 dias
Uma história tradicionalmente brasileira
Gabriel Rosa, de Rio de Janeiro. 03 de Dezembro de 2025
Quando saiu de casa, às 11h57, Luciana Vasconcellos, de 46 anos, estava preparada para pegar um bronzeado e tomar um banho de mar na Praia do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro. O dia estava fresco e ensolarado, e o tempo marcava 22 graus naquela quinta-feira, 20 de novembro. Era um clima perfeito para um mergulho. Vestiu seu biquíni preto, enfeitou-se com um brinco de miçangas vermelhas e amarelas, e cobriu a cintura com uma canga colorida. Ajeitou os longos cabelos pretos em um coque, que escondeu debaixo do boné.
No caminho, fez uma pequena parada em um modesto restaurante na Lapa — que frequenta há mais de 20 anos — para almoçar. Sentou-se em uma mesa de madeira, do lado de dentro, próxima a uma escada, à minha frente, e iniciou a conversa, dizendo:
— Puta. A vida inteira fui puta.
Ou, quase inteira. Um pouco antes do trabalho nas ruas — iniciado aos 17 anos —, da movimentação política e da transição de gênero, Luciana era, como ela própria define, uma criança viada. Uma criança pobre, negra, viada e extremamente inteligente. Aos oito anos, já andava de cabeça erguida enfrentando os valentões da escola. “Eu sempre fui a perigosa do rolê”, conta. Quando sentia que os colegas tentavam desprezá-la por seu jeito “feminino”, com comentários como “ela é bichinha”, a resposta vinha materializada em um punho fechado direto no alvo, seguido das palavras: “Sou bichinha mesmo.”
Parecia o jeito ideal de impor respeito e marcar o seu território. Aprendeu, ainda jovem, a inventar suas próprias armas e estratégias de sobrevivência. “Eu cresci com a violência na minha vida. Eu entendi que o jeito de reivindicar alguma coisa era só na violência.” Em casa, via, desde muito cedo, o pai bater em sua mãe. Do irmão mais velho, sofria agressões por seus traços delicados. “Ele era uó”, fala. Não à toa, ainda na quinta série, aprendeu a retribuir a violência, criando sua própria lógica de defesa: “Quando meu irmão me batia, eu tinha medo e não fazia.” Então pensou: “Se aquele menino me chama de bichinha e eu bato, ele não vai continuar.”
A relação com os pais? “Péssima.” “Meu pai era incrível e minha mãe sempre foi muito preconceituosa. Morreu preconceituosa.” O pai, um juiz de futebol e sapateiro da cidade, morreu quando tinha 11 anos. A mãe, uma rígida cantineira de uma escola de bairro, morreu há três anos. “Uma das revoltas com a minha família foi que ela me fez passar tanto tempo da minha vida aprisionada em um lugar totalmente higienizado.” Filha de quatro irmãos, rompeu os laços familiares após a perda da mãe. “Não falo com ninguém mais.” Perdeu contato com todos os familiares, depois que conflitos já existentes foram intensificados pela morte da mãe. “Onde tem dinheiro, é merda”, diz.
“Eu já me via uma criança empoderada. Sempre tive essa inteligência.” Aos dez anos, assumiu o nome de Roseclair, em uma brincadeira na escola. No fundo, não era bem uma brincadeira. A coisa ficou séria sete anos mais tarde, quando saiu de casa, aos 17 anos, carregando apenas uma mochila nas costas e uma malinha de mão, sem olhar para trás. “Só com roupa de gay”, ri. Sem qualquer aviso aos pais, embarcou em um ônibus em direção a um sonho de infância. Havia decidido trocar as ruas do subúrbio do bairro de Jatobá, em Belo Horizonte, pelo calor do Rio de Janeiro — um mundo que, até então, conhecia apenas pelas novelas que assistia na tevê. “Isso aqui deve ser mentira”, pensava, deslumbrada. Com a ajuda de Marcele, uma travesti carioca, arranjou um apartamento para morar, no número 364, na Rua Princesa Isabel, bairro de Copacabana.
Assim que pisou na casa nova, não quis descansar nem por um segundo. Não, antes tinha que fazer sua grande estreia. Estava empolgadíssima para iniciar o trabalho. Naquele primeiro dia, se montou, com direito a uma peruca Chanel preta e uma tiara, que havia ganhado de sua nova colega, e foi para a rua. “Presente de madrinha”, disse Marcele, antes de levá-la para fazer seu primeiro programa. “Foi um close”, lembra Luciana. “Eu estava com euforia e adrenalina. Me sentindo a mais bela de Copacabana, não tinha para ninguém.”
Da primeira suruba, em sua estreia como puta, anos se passaram e, dali em diante, a vida seguiu seu curso: foi aprendendo o passo a passo da profissão. “Fui me tornando uma profissional do sexo.” Conquistou uma clientela fiel, apaixonada por ela. Era tratada como uma deusa. “Eu não vim para bagunça nesse universo, minha missão aqui é muito forte.” Logo, ficou deslumbrada com os ganhos astronômicos iniciais, inclusive de clientes famosos. “Os clientes pagam milhões”, conta. O perfil dos clientes? “Homens.” De 16 aos 85 anos. “Preto, branco, pobre, rico, casado, solteiro, viúvo. Agressor, carinhoso.” Todos vinham até Luciana. Com o sucesso, pôde bancar suas aventuras pelo país e pelo mundo: conheceu diversos estados do Brasil e fez contatos com bichas de todas as regiões.
Morou na Europa por dois anos, trabalhando, claro, como puta. Mas não foi tão simples. “Todo um processo.” Pagou 20 mil euros para garantir a mudança de país: 15 mil para a cafetina e 5 mil pelo ponto. “Foi penoso lá”, lembra, com histórias que dão um livro à parte. Lá, correu da polícia, foi perseguida por cafetinas, tentou ir embora. Em dois meses, fez seu nome. Virou uma “máquina de fazer dinheiro.” Quando retornou, deportada, em pleno verão, decidiu que era hora de garantir alguns pequenos luxos. “Agora deixa eu curtir meu dinheiro no Brasil.” Tinha 86 mil reais na conta e vontades de sobra. Colocou peito, nariz, comprou uma casa e ainda sobrou uma graninha para garantir uma Honda Bis na garagem. “Fiz tudo que tinha vontade.”
Luciana estava comendo e contando uma de suas histórias, e então fez uma pausa por alguns segundos. Retomou a palavra, em um tom sussurrado:
— As mulheres, quando estão acompanhadas, ficam preocupadas com a gente e a reação dos maridos.
— Você percebe isso com frequência?, pergunto.
— Lógico, horrores. Muitas das vezes, os maridos, antes de olharem pra gente, olham para as mulheres para verem onde elas estão olhando. Muito olhar, muita cantada. Muito macho hétero, alfa.
Em seguida, falou:
— Todas essas questões me motivaram a entender o porquê que a sociedade tanto me assassina, a sociedade tanto me violenta, sendo que ela me consome com prazer absurdo.
Bom, Luciana não foi a primeira a se fazer essa pergunta. De acordo com um relatório publicado pelo site de pornografia PornHub em 2023, o Brasil figurou em primeiro lugar na lista de países que mais consome conteúdos pornográficos com pessoas transexuais e transgêneros. Entre os conteúdos mais procurados por brasileiros, a categoria transgender foi a terceira mais pesquisada, com 68% a mais de acessos quando comparado ao restante do mundo. Além disso, o termo trans foi o 11º mais buscado. Acontece que, em todos os últimos 16 anos, nosso país liderou um outro ranking cruel: o que mais assassina pessoas trans no mundo todo. Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), em 2024, foram registrados 122 assassinatos de pessoas trans e travestis, dos quais 117 foram vítimas do gênero feminino, sendo o perfil mais comum mulheres negras.
Como reflete Luciana, o país que assassina pessoas como ela pela manhã é o mesmo que faz fila para consumir seu corpo à noite. É a personificação de Geni, personagem da canção Geni e o Zepelim de Chico Buarque, presente na Ópera do Malandro, lançada em 1978. Na canção, Geni, uma travesti, é alguém de quem todos devem manter distância. “O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirante, é de quem não tem mais nada”, diz a letra. A ela, fica destinada apenas a violência. “Joga pedra na Geni! Ela é feita para apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni!”, grita a população em coro, sempre que ela passa.
Em um momento de desespero, frente à ameaça do ataque de um comandante estrangeiro sob um zepelim, todos se ajoelham aos pés de Geni, implorando que ela se deite com o inimigo, pois havia cativado o coração do forasteiro. De repente, torna-se a “Bendita Geni.” A contragosto e enojada, aceita se deitar com o homem “como quem dá-se ao carrasco”, o que garante a salvação de todos. Ao acordar depois de uma noite de violência sexual, porém, Geni ouve o coro retornar, com a mesma fúria de antes: “Joga pedra na Geni! Ela é feita para apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni!”
Dos anos de 1970 pra cá, pouca coisa parece ter mudado no Brasil.
Próximo à praia do Flamengo, um vento gelado — único sinal da primavera — balança os galhos secos de uma pequena árvore num modesto prédio de vidraças antigas e muros com grandes arames farpados. Em um estreito corredor, há pequenas plantas, árvores e um cachorro que dá as boas vindas aos visitantes. Naquele dia 10 de outubro, pessoas entravam e saíam do prédio a todo tempo: crianças, adultos e idosos. De uma pequena janela, ouviam-se algumas vozes em uma reunião. Mais à frente, uma mulher estava sentada em uma pequena sala com duas mesas, concentrada em suas tarefas.
Os dedos ligeiros de Cléo Oliveira, de 46 anos, estavam batucando no teclado de seu notebook, finalizando demandas do trabalho, quando a entrevista começou. “Fique à vontade”, cumprimentou Cléo, uma mulher alta e entusiasmada, de longos cabelos loiros que elegantemente caíam sobre um fino cachecol branco. “Nós somos todos doidinhos, mas somos do bem.” Não havia loucura nenhuma, apenas uma agitação especial no ambiente, devido à alta circulação de pessoas. Nada incomum para Cléo, que, antes mesmo de ser contratada como assistente social efetiva da CasaNem, em março deste ano, já atuava como voluntária no projeto há mais de uma década — e tornou-se mais que habituada com o movimento ininterrupto.
Fundada em fevereiro de 2016 pela ativista paranaense Indianarae Siqueira, a CasaNem nasceu com o propósito de oferecer acolhimento a membros da comunidade LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade social na cidade do Rio de Janeiro. Lá, num modesto prédio de dois andares que se destaca como um ponto amarelo em meio ao asfalto cinzento, localizado no bairro do Flamengo, um novo lar é oferecido a quem precisa. Pelos cálculos de Cléo, hoje são pouco mais de 20 pessoas acolhidas pelo projeto — um número menor do que o habitual, devido a uma recente reforma na estrutura do edifício.
No espaço térreo, um pequeno cômodo com cerca de 10 carteiras se transforma em sala de aula para o PreparaNem, um curso preparatório gratuito com foco em vestibulares e concursos. Escada acima, no segundo andar, onde há um salão, os acolhidos dormem em um alojamento coletivo. A equipe é formada por 10 funcionários, entre profissionais fixos e voluntários.
As histórias de Luciana e da CasaNem, aliás, estão interligadas. Logo que retornou da Europa, continuou trabalhando nas ruas, mas, dessa vez, focada nos estudos. Nessa época, ela entrou para o PreparaNem, onde conheceu Indianarae. “Comecei a entender que a educação estava fazendo uma diferença na minha vida e poderia fazer na vida de outras pessoas trans.” Estudava de segunda à sexta, das 7h às 22h, sempre em um local diferente. Um desses espaços era a Casa Nuvem, um espaço de eventos, no Beco do Rato, na Lapa, que, mais tarde, viria a ser a primeira sede da CasaNem. Logo, começou a se preocupar com as meninas que não tinham para onde ir depois das aulas. “Algumas vinham e não tinham onde tomar banho”, conta.
A CasaNem ganhou forma e espaço em pleno carnaval, depois de um episódio de transfobia sofrido por Luciana. Vestida de onça, ela retornava de um bloco à Casa Nuvem, quando foi abordada por um homem, que disse:
— Porra, mas um negão desse tamanho de oncinha? Nem combina, rapaz. Olha o tamanho do seu pé.
Ao ouvir aquilo, uma amiga que a acompanhava, furiosa, pulou em cima do homem, que desferiu um soco em seu rosto, fazendo-a cair desmaiada no chão. Naquele segundo, a criança viada, a “perigosa do rolê”, atacou novamente. Luciana quebrou uma garrafa de cerveja Heineken e cravou nas costas do homem. Ela cortou o dedo na ação e ele caiu com a garrafa enterrada em sua pele. Na sequência, o homem levantou e saiu andando, com sangue jorrando. Ela correu em direção à casa para pedir ajuda, mas as pessoas que estavam lá, reunidas em uma festa, pediram que ela não atrapalhasse o carnaval.
Imediatamente, ligou para Indianarae, que chegou na casa arrebentando a fiação. “Acabou o carnaval!”, disse. “O pau quebrou”, conta Luciana. Indianarae botou todos para fora. No dia seguinte, disse que aquele espaço seria a sede da CasaNem. Alugaram a casa e, para bancar o valor do aluguel, de cinco mil reais, passaram a produzir festas temáticas. A coisa cresceu muito, até virar um famoso ponto de encontro no Rio. “Era inacreditável. Festas de parar o Rio de Janeiro.”
Para se manter de pé, o projeto hoje recebe incentivos de financiamento e doações de materiais, como roupas, alimentos e itens de higiene. Os acolhidos chegam por meio do WhatsApp, e ainda há uma lista de espera, devido à alta demanda, explicada pelo abandono comum à comunidade trans. “O rompimento dos laços familiares e com a escola formal são os primeiros laços a serem cerceados”, reflete Cléo, que é uma mulher trans e negra. “E isso acaba levando elas [mulheres trans e travestis] num processo meio natural, à margem da sociedade, levando elas ao que tem para hoje. Em sua maioria, acaba sendo a prostituição, acaba sendo a situação de rua. E tudo isso, a gente sabe, está ligado a questões estruturais.”
As questões a que Cléo se refere não são poucas. Segundo uma pesquisa da Fapesp, realizada em São Paulo, cerca de 86,1% das mulheres trans e travestis brasileiras trabalham na informalidade, e apenas 13,9% ocupam cargos formais de trabalho. Entre as aquelas que estão no mercado de trabalho informal, a maioria atua na prostituição.
Luciana não foge à regra, mas, ao contrário dos dados, escolheu a dedo sua profissão: “Por opção. Não fui aquela travesti que foi expulsa de casa. Eu não sofri essa transfobia que a grande maioria sofre hoje.”
“Fui estudando e adentrando os espaços.” Conforme o tempo passou, ela começou a participar de movimentos e ações sociais. “Todos esses espaços eu queria estar dentro para entender e poder bater de frente, poder ter argumento. Eu queria falar na mesma linguagem para derrubar”, afirma. Foi convidada, há alguns anos, para trabalhar na prefeitura do Rio, atuando como assessora na Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual, formulando políticas públicas para a comunidade LGBTQIAPN+. Já trabalhou em curadoria de exposições artísticas, apresentou o festival “Corpos visíveis” e o bingo do bloco “Glorioso Mergulho”. Quando retornou de Minas para o Rio, há um ano, após cinco anos cuidando de sua mãe, voltou a trabalhar na CasaNem, como assistente administrativa, ao lado de Cléo Oliveira. No entanto, há seis meses, sentiu as coisas pesarem e pediu demissão, para cuidar de si mesma. “Eu sou uma pessoa que, para acessar a sociedade, é conflituoso”, diz Luciana. “Lidar com a minha vida e a dos outros, com o mesmo sofrimento que eu sofro, é muita carga.”
“Todas as fraquezas que eu tenho são causadas por mim mesmo”, afirma Luciana. Há 20 dias, ela passou por uma limpeza, uma redução de danos. É fumante e afirma que fazia uso recorrente de cocaína. “Não sou adicta, mas ocorria todo fim de semana.” Está desacostumando aos poucos com a droga, apesar de prever uma possível recaída. “Já sei que vou usar, faz parte do meu processo de desintoxicação.”
Hoje, está desempregada e mora de favor na casa de um casal de amigas no Bairro de Fátima, onde pretende ficar até janeiro, enquanto aguarda o resultado de três editais. Um deles, para atuar como cozinheira, pois fez um curso de gastronomia. “Tô confiante nesse”, afirma, esperançosa. O apoio dos amigos, que ajudam a segurar as pontas nessas horas, é fundamental. “Eu construí uma família. Hoje tenho pessoas que me amam.” Ainda faz alguns programas, vez ou outra na semana, quando aparece uma oportunidade, através de aplicativos de relacionamento, como o Grindr. “A única profissão que eu nunca vou deixar de exercer é a prostituição. Porque ela me ensinou muito e eu sei que posso ganhar dinheiro com ela.” Também tem produzido conteúdos eróticos para plataformas de conteúdo adulto por meio de um perfil de uma amiga, o que ainda não garante uma renda para ela. Enquanto isso, aguarda a resposta de um Bolsa Família. “Tô sem um centavo. Sem grana para nada. Mas eu optei por não trabalhar.”
Ao primeiro contato para a reportagem, Luciana, receosa, respondeu que já tinha se exposto muito. Havia dado muitas entrevistas, sido fonte para teses acadêmicas e isso trouxe malefícios para sua saúde mental. “Eu recebo constantemente propostas. Não tô afim, não quero”, afirmou. Há um tempo não topa falar com jornalistas e estudantes, e só aceitou conversar depois de algumas conversas online e negociações. Ao seu modo, criou um escudo de proteção contra o mundo que ainda a recebe com pedras. “A gente é muito estudada, a gente vira muita matéria de tese, e eu continuo com fome, com sede. Cansada.”
Naquela última semana de novembro, teria um fim de semana cheio: lançamento de seu filme na sexta, Marcha Trans na Lapa no sábado e, no domingo, desfilaria na Parada LGBTQIAPN+ em Copacabana. A previsão prometia 35 graus, e ela queria aproveitar para pegar uma marquinha. “Ui, adoro! Fico louca”, disse. “Eu adoro um sol, e vou desfilar pelada.” Além disso, tinha um show marcado naquele mesmo dia da entrevista, no Circo Voador. “Um show babadeiro”, falou, por fim. “Segunda, terça e quarta, ressaca pura.” Nos despedimos e seguimos direções opostas. Subi no ônibus, de onde avistei Luciana caminhando, até sumir na multidão.











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